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Agonizando
"O que, antigamente, foi fonte de júbilo e de lamento deve agora tornar-se fonte de reconhecimento".

[Jacob Burckhardt]

Agonías sofre em Brasília-DF
agonias_feitosa@hehe.com

Evandro sofre em São Paulo-SP
vates@uol.com.br






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Sexta-feira, Novembro 29, 2002

<Evandro> 

E o Foro de São Paulo analisa o México depois do acordo com os EUA e o Canadá:

Examinamos también en forma pormenorizada los resultados nefastos en todos los órdenes para México de esa avanzadilla del ALCA constituida por el TLC, que lo une sobre todo a EEUU y también a Canadá. Estos análisis conservan total validez y se reafirman a la luz de los nuevos acontecimientos.

Desinformação pura.
</Evandro> <!--12:26 PM-->

<Evandro> 

Sobre a ALCA, retirado de www.pontocritico.com:

MÉXICO- As notícias dadas pela embaixadora mexicana no Brasil são extremamente importantes para os temerosos de plantão. Na realidade não é uma questão de temer. Trata-se, na realidade, muito mais de uma raiva cultivada contra os americanos. Mas vamos ao assunto: o Nafta, antes considerado um possível inferno para os mexicanos, que estariam ameaçados a perder a sua soberania e ao serem condenados a ser engolidos pelos americanos, tem tudo para festejar. Com o Nafta, o México obteve resultados fantásticos, diz a embaixadora. Há 20 anos, 80% de tudo que os mexicanos exportavam era petróleo e produtos agrícolas. Hoje, 90% são manufaturados. O superávit do México hoje é de US$ 30 bilhões/ano, enquanto festejamos em 2002 só 1/3 deste valor. Além disso, o emprego formal deles cresceu 50%. Pois este é exatamente o cenário que pode envolver o Brasil numa participação na Alca. Que tal?
</Evandro> <!--12:17 PM-->

<Evandro> 

A partir de hoje, este é um blog a favor da ALCA. Gostaram do banner aí ao lado? Quem quiser também pode usar.
</Evandro> <!--12:13 PM-->

Terça-feira, Novembro 26, 2002

<Evandro> 

Essa é do Guilherme Quandt:

"Vocês devem saber que o PT é contra os produtos transgênicos. Se não sabiam, podem verificar na página do partido:

http://www.pt.org.br/san/transgenicosbreverelato.doc

Mas não é que José Graziano, o coordenador do projeto Fome Zero de Lula, se encontrou sigilosamente com empresas americanas de transgênicos? Que confusão! Vários líderes do partido são contra elas. Como divulgar o fato sem criar cisão no futuro governo? como, sem que Graziano ou mesmo Lula pareçam trair o discurso oficial do partido? Nada tema, com a Folha de S. Paulo não há problema.

O jornal, na edição de domingo, colocou na manchete a culpa toda na outra parte do encontro: 'EUA fazem lobby com o Fome Zero' (citando de memória). Na matéria, as manifestações americanas de apoio ao projeto, que na página do PT aparecem como conquista do partido, no jornal indicam o malsinado "lobby transgênico" (sic). Na segunda-feira, reportagem com chamada de capa informando o repúdio de vários figurões petistas a esse odioso lobby americano. Alguma crítica a Graziano? ou a Lula? Parece que não. Devem ter esquecido.

Ah! Folhinha do PT! que seria do partido sem você?"
</Evandro> <!--3:23 PM-->

Domingo, Novembro 24, 2002

<Evandro> 

A pergunta que não quer calar:

A esperança venceu o medo do imposto de renda?
</Evandro> <!--10:26 PM-->

<Evandro> 

Li sobre a redução da jornada de trabalho no blog do Fabio Danesi. Fiquei sabendo - há poucos dias - que o Brasil vai importar mais esta óóótima idéia do exterior. Pois é. Lá na França já estão em 35 horas. Vejam os magníficos resultados da medida lendo o artigo do Anthony de Jasay sobre o assunto.

Pelo jeito, vamos ter que repetir aqui todas as experiências idiotas por que a Europa já passou. Aí então, daqui a uns 100 anos, quando tivermos passado por todas as babaquices pelas quais eles passaram por lá, talvez comecemos a andar pra frente. Se bem que eu já estou começando a duvidar desse negócio de andar pra frente. Isso deve ser invenção, ilusão, sei lá. Daqui a pouco aparece algum professor da PUC dizendo que andar pra frente é uma criação de nossa mente, ou então que é uma convenção social, um tabu. Então passaremos na frente de um Macdonald's e veremos os jovens entrando de costas e pedindo seus hamburguers (ou sreugrubmah) à moça do caixa, sentada de costas. Ao menos no palácio do Planalto a coisa será positiva. O presidente entrando de costas será um exemplo de coerência! O presidente aluL!!
</Evandro> <!--10:25 PM-->

Sexta-feira, Novembro 22, 2002

<Evandro> 

Os argentinos estão enxergando bem melhor do que os brasileiros a fonte de quase todos os problemas sociais, econômicos etc etc. Pena que isso não parece estar adiantendo muito! Anyway, tirei essa do boletim do PontoCrítico.com (é uma frase de está correndo pela boca dos argentinos): PROHIBIDO ROBAR, EL GOBIERNO NO ADMITE COMPETENCIA.

Se fosse por aqui, seria algo como: "proibido roubar, o governo neoliberal não admite competência" (versão dos petistas) ou uma versão mais realista: "proibido roubar, o governo não admite concorrência", ou mais realista ainda: "permitido roubar e traficar, desde que para a integração das esquerdas na América Latina".
</Evandro> <!--9:25 PM-->

Quarta-feira, Novembro 20, 2002

<Evandro> 

Não é demais lembrar que Perry Anderson figura entre as vítimas de Roger Scruton em Thinkers of The New Left, livro que vale cada centavo de seu preço em salgadas libras (embora não sejam muitas, apenas 5). Entre os outros estão: E.P. Thompson, Michel Foulcault, Antonio Gramsci, Louis Althusser, Immanuel Wallerstein, Jürgen Habermas, Lukács, J.K. Galbraith e Sartre. E olha que eu nem citei todos. São esses os gurus de nossos acadêmicos, editados pelas maiores editoras - Martins Fontes, Cia. da Letras, Civilização Brasileira etc.

Espero que não me entendam mal. Eu mesmo sou um leitor de Habermas. Mas cada autor deve ser lido de maneira consciente. Ler um esquerdista sem saber disso é uma verdadeira eutanásia gnosiológica, o que vale para outras ideologias também. Ah, e antes que alguém aí vá ficando feliz, relativismo também não resolve, viu? Dizer que cada um pensa de um jeito e acabou, isso também não adianta nada.

Certa vez comentei com um sociólogo amigo meu que eu havia lido um artigo que dizia que Habermas seria um gigante se tivesse aceitado a metafísica em seu pensamento, pois mesmo sem ela ele foi longe. Então ele me respondeu que Habermas era pós-metafísico. Na hora eu não tive presença de espírito, mas agora posso dizer: primeiro ele teria que provar que a metafísica é "superável". Hehe! Que tarefinha sem-vergonha! O sujeito ia ter que escrever uns 5 calhamaços de mil páginas. Ele até que escreveu um livro sobre isso. Mas, duvido que a maioria dos sociólogos o tenha lido. E se muitos leram, bem, não se pode dizer que o tenham analisado seriamente, pois isso seria tarefa para alguém com conhecimentos filosóficos. Como se vê, a culpa é sempre dos filósofos, que "escorregam" para os outros departamentos os estudos baseados em pressupostos altamente duvidosos. Que filósofos são esses? Bem, leiam o Roger Scruton, que é o que eu estou fazendo.
</Evandro> <!--3:10 PM-->

<Evandro> 

Grande serviço de utilidade pública o artigo do Nivaldo Cordeiro, "As falácias de Perry Anderson" (publicado no dia 13 de novembro em seu site). O livro "Pós-neoliberalismo" é um daqueles queridinhos da universidade. Eu mesmo guardo um exemplar aqui em casa, como lembrança do meu passato nero de estudante universitário!

Outro queridinho da universidade é o "Convite à Filosofia", da Marxlena, que já foi "detonado" ao infinito pelo Gonçalo Palácios, no jornal Opção, de Goiânia, em uns 7 ou 8 artigos memoráveis (quem quiser saber os links, pergunte-me por e-mail ou nos comments aí embaixo). É um livro didático de segundo grau. Mas, como segundo grau hoje equivale a primeiro, universidade equivale a segundo grau! Sem brincadeira. No primeiro e único ano em que (aguentei) cursar filosofia (depois de ter-me formado em comunicação), a professora sugeriu um texto em francês sobre a Metafísica de Aristóteles. Claro que ninguém sabia ler em francês, nem eu, que ainda estou aprendendo. Mas o que quero dizer é que o texto era de um livro didático de ensino médio francês. Isso serve para mostrar o nível do ensino brasileiro. Se na faculdade de filosofia da Cia. de Jesus, uma das melhores do Brasil, é assim, imagine nas PUCs.
</Evandro> <!--8:35 AM-->

Segunda-feira, Novembro 18, 2002

<Evandro> 

Recebi hoje a seguinte piada:

- Pai, eu preciso fazer um trabalho para a escola. Posso te fazer uma pergunta?
- Claro, meu filho, Qual e a pergunta?
- O que é política, pai?
- Bem... política envolve:
1. povo;
2. governo;
3. poder econômico;
4. classe trabalhadora;
5. futuro do país.
- Não entendi. Dá para explicar?
- Bem, vou usar a nossa casa como exemplo: sou eu quem traz dinheiro para casa, então eu sou o poder econômico. Sua mãe administra, gasta o dinheiro, então ela é o governo. Como nós cuidamos das suas necessidades, você é o povo. Seu irmãozinho é o futuro do país e a Zefinha, a babá dele, é
a classe trabalhadora. Entendeu, filho?
- Mais ou menos, pai. Vou pensar.

Naquela noite, acordado pelo choro do irmão neném, o menino foi ver o que havia de errado. Descobriu que o neném tinha sujado a fralda e estava todo emporcalhado. Foi ao quarto dos pais e sua mãe estava num sono muito pesado. Foi ao quarto da babá e viu, através da fechadura, o pai na
cama transando com ela. Como os dois nem percebiam as batidas que o menino dava na porta, ele voltou para o quarto e dormiu. Na manhã seguinte, na hora do café, ele falou para o pai:

- Pai, agora acho que entendi o que é política.
- Ótimo filho! Então me explica com suas palavras.
- Bom, pai, acho que é assim: enquanto o poder econômico fode a classe trabalhadora, o governo dorme profundamente. O povo é totalmente ignorado e o futuro do país fica na merda!!



Hehe! Acho que precisamos de uma versão liberal dessa piada, né? Lá vai.


A esposa machista (simbolizando o governo protecionista) dá porrada na babá (classe trabalhadora), em nome do desenvolvimento e conscientização dela (amadurecimento da cidadania da classe trabalhadora) e do marido (desenvolvimento econômico!). A babá, por sua vez, se arrepende e se ilude achando que a porrada foi na verdade um renascimento e uma renovação!

O marido, por causa de sua "conscientização", passa a querer cada vez mais sexo com a esposa. Esta então, por estar enjoada do marido, faz um "pacto social" com ele: "nós continuamos juntos e vamos nos tornar homossexuais, pois é isso que está na moda; eu vou foder as minhas amigas solteiras (classe média) e você vai comer os seus amigos solteiros (economias liberais). De vez em quando a gente pode dar uma de 'bi' e trocar de lado: eu passando a foder seus amigos e você, minhas amigas!"

Então, o menino (povo) volta a bater na porta da mãe. Esta, ouvindo sua chamada, diz a ele: "entre, vamos conversar; seu pai e eu fizemos um pacto e de agora em diante tudo vai dar certo e você pode ficar tranquilo, pois nunca vamos nos divorciar. Além disso, vamos sempre te alimentar, até o dia em que você morrer. Pode ficar tranquilo!"

Quando o filho sai do quarto, a mãe comenta com seu marido: "Agora está tudo resolvido. Nós caímos na gandaia. O menino vai ficar comendo o tempo inteiro e não vai reclamar mais. A babá, por sua vez, já está totalmente iludida por nossa conversa sobre conscientização e crescimento pessoal, e basta que continuemos pagando seu salário, mesmo que ela continue a não trocar as fraldas do bebê". Ao que o marido diz: "Mas e nossos amigos? Eles podem descobrir a nossa tramóia". E a esposa responde: "Sem chance. Eles só se preocupam em se embelezar para nós. E, além disso, vão ficar com medo de contar a verdade para o menino e para a babá, pois dependem emocionalmente de nós. Só alguns poucos vão nos denunciar, mas o neném é muito novo pra escutar, a babá está 'conscientizada' e o menino estará ocupado comendo".

Como se vê, a piada ficou um pouco mais complexa, né? Eu tive até que fazer uso de parênteses explicativos. Ela ainda guarda sua graça, mas acrescida de uma parcela de humor negro, que nos deixa sem saber se rimos ou choramos.
</Evandro> <!--12:39 PM-->

Sábado, Novembro 16, 2002

<Evandro> 

Folclore:

Fiquei sabendo, pelo arquivo da Folha de S. Paulo, que Marxlena Xuxaí certa vez afirmou que José Guilherme Merquior era o mais talentoso porta-voz da direita. Meu Deus, como é aguçada a percepção dessa filósofa. Ela consegue perceber todas as nuanças da personalidade e da produção intelectual de uma pessoa com uma facilidade impressionante! E depois fecha seu raciocínio com uma chave de ouro, um primor de análise e sutileza: direita! Uaaau!
</Evandro> <!--2:01 PM-->

Quarta-feira, Novembro 13, 2002

<Evandro> 

A todos que ainda têm um coração batendo dentro do peito e sabem que amor e tolerância não é o que se aprende na faculdade sob o nome de cidadania (e outras expressões), e para todas as outras pessoas também, aconselho a leitura do post de 9/11/2002, escrito pela Sue, no Asa de Borboleta. Um trecho: "Aceitem suas limitações com tolerância, sempre tentando expandir seus limites aos poucos, sem forçar a musculatura da alma".

Obrigado, Sue! Obrigado por me ajudar com esse difícil trabalho de musculação da alma. Tem dia que é difícil arranjar disposição pra ir à academia...
</Evandro> <!--8:14 PM-->

Terça-feira, Novembro 12, 2002

<Evandro> 

Hoje é aniversário do meu amor, que está morando longe de mim.


NO ENQUANTO


Neste dia de hoje, minha
tristeza de não ver
é pesar que vira força de andar,
esperar, entrever.

As pedras de não ter seus olhos à tardinha
são ouro que se inscreve
na alma
ao futuro.

Estou, de fantasia sempre,
lá neste reencontro.

Hoje a força, amanhã os olhos
a face a loucura da carne e da alma.

No enquanto, espera.

</Evandro> <!--4:07 PM-->

<Evandro> 

Querido Fabio. Não te esqueci não, viu? Continuo lendo silenciosamente seu blog. O silêncio se deve mais à ausência de espaços para comentários. Então, creio que você não deva se importar com isso. Sobre o seu post de hoje, realmente, se maconha fosse causa de assassinato, acho que os hippies teriam ganho o mundo pra eles, na marra!
</Evandro> <!--2:19 PM-->

<Evandro> 

A Internet tem períodos de vacas magras, quando a quantidade de artigos diminui. Parece que todos se cansam de escrever pra poucos, num esforço hercúleo de resultados quase incertos de tão "a longo prazo". Nessa épocas é agradável entrar em um blog que continua firme e forte, como o guidalli.com. Espero conservar sempre essa mesma energia, porque o lado dos ignorantes tem um contigente infinitamente mais elevado. Umas centenas de ignorantes podem desanimar, que logo aparece um milhar para substituí-los.

"É, velhinho!" (Como diria o Pernalonga). Ser minoria "desongada" não é mole não. Quisera eu ser membro de uma ONG: "Sindicato da Liberdade e da Sabedoria", por exemplo. Se bem que hoje, com essa novilíngua brasileira que inverte o sentido das palavras todas, era mais provável que um sindicato como esse fosse responsável pela censura e pela ignorância.
</Evandro> <!--2:14 PM-->

<Evandro> 

Não sei por que a Inês desativou o blog dela (Ignea's), mas desconfio que todos nós temos aquele desejo latente de fechar nossos blogs e parar de escrever, nos livrarmos da obrigação de escrever nesse lugarzinho todo santo dia. Já vi esse filme várias vezes. E sinto isso sempre.

Só que esse blog aqui é meio vacinado contra isso, por causa do próprio nome. Faz parte da agonia essa dor de não ter o que escrever. Se eu escrevo, é pra agonizar. Se não escrevo, é porque estou agonizando.

You see? It can't get worse.

Querida Inês, se você fechou o seu blog porque simplesmente ficou de saco cheio, fique sabendo que eu também estou. Mas um blog é mais ou menos como a vida. Você tem que dar sentido a ele, e não esperar que ele revele a você o seu sentido.

Bem, é quase como a vida. Só que o blog tem a vantagem de poder ser fechado, desativado, aposentado!

O resto é dúvida.
</Evandro> <!--12:43 AM-->

<Evandro> 

Estou sentindo um profundo vazio.

Liguei a TV hoje, mas não consigo assistir nada que não venha de outro país. Acho que estou em perigo de entrar para mais uma "classe" de politicamente incorretos, de fascínoras sociais: a dos que não gostam do Brasil.

Mas, antes que me entendam mal, vou explicar melhor. Eu gosto de sair na rua, conversar com as pessoas, com os funcionários de lojas, com o porteiro. Gosto de conversar com colegas desintelectualizados. Enfim, gosto do senso-comum. Por enquanto ele está vivo. No dia em que terminarem a reforma do senso-comum, terminará a última ligação do brasileiro com a realidade.

Estranho país, esse em que vivemos. Só há duas opções para não se desligar da realidade: ficar andando pela rua o dia inteiro sem conversar sobre política com ninguém; ou simplesmente manter uma distância racional em relação a tudo, desconfiar de tudo, da poesia ao futebol, da literatura à ciência.

Eu me sinto como alguém que vivesse em um estado de suspensão cultural. A cultura do presente fica me espetando o tempo todo. E eu tenho que fingir que não estou sendo espetado e me dirigir à estante onde estão os clássicos. Ou então, se eu quiser um "produto cultural" (argh!) nacional, feito agora, e que preste, preciso fazer uma complexa pesquisa de editoras boas, de autores que conhecem autores que conhecem autores, fuçar aqui, fuçar ali, até descobrir algo que seja bom. E isso cansa. Às vezes eu fico cansado de ter que me cercar de tantos cuidados para não me expor à "lavagem cerebral" das modas culturais bonitinhas, "patrocinadas" pelos professores engajadinhos, espectadores da TV Cultura.

E a política está me dando mais nojo a cada dia que passa. E o engajamento dos jornalistas? O modo como a maioria deles realmente acredita que está prestando um grande serviço à humanidade. Começo a entender aqueles professores que passam a vida enclausurados em um obscuro departamento de estudos clássicos gregos, ou algo assim. Pra que se preocupar? Pra que gastar a vida brigando com quem não quer ver? Há tantos livros pra serem lidos. Será que realmente vale a pena se importar com presidentes, deputados e senadores? Será que eles mudariam tanto nossas vidas se nós não nos preocupássemos tanto com eles? Será que o caos político-social não é resultado da politização geral de tudo e de todos? Será que o poder dos políticos não é diretamente proporcional à quantidade de tempo que gastamos pensando neles e falando deles?
</Evandro> <!--12:29 AM-->

Segunda-feira, Novembro 11, 2002

<Evandro> 

A pergunta que não quer calar (diretamente do baú de perguntas dos habitantes da caverna de Platão) :

O brasileiro precisa matar a fome para trabalhar, ou trabalhar para matar a fome?

</Evandro> <!--11:40 PM-->

Sábado, Novembro 09, 2002

<Evandro> 

A pergunta que não quer calar:

Como o Lula fez para conversar em inglês com Bush pelo telefone?

</Evandro> <!--5:42 PM-->

Sexta-feira, Novembro 08, 2002

<Evandro> 

Prova de que os esquerdistas só atacam em bando: o dia 24 de outubro em meu indicador Nedstat.
</Evandro> <!--9:07 PM-->

<Evandro> 

Se tem uma coisa que eu adoro é aquele clichê: "a pergunta que não quer calar". Haha! É ótimo! Toda vez que eu vejo, fico curiosíssimo pra saber qual é a pergunta. Ainda que seja a coisa mais besta do mundo.
</Evandro> <!--8:38 PM-->

Quarta-feira, Novembro 06, 2002

<Evandro> 

Tem gente que anda indignada com o fato de o FHC ter um apartamento caro em São Paulo.

Quando eu e o meu (quase ausente) amigo Agonías criamos esse blog, não escolhemos esse nome à toa. Eu, particularmente, acho a ética da indignação uma coisa deplorável. Quando eu digo que estou agonizando, parece que é brincadeira, mas não é. Eu olho para um lado e vejo os políticos semi-analfabetos, corruptos ou bem intencionados, o que quase sempre dá no mesmo, dada a sua ignorância crônica com respeito à política, a filosofia, sociologia e economia. Vejo intelectuais que vão ao exterior, pagam as maiores cifras pelas suas pós-graduações (ou recebem bolsas do nosso bolso!) e voltam achando que inflação não é problema e que o Estado precisa fazer a economia crescer. Aliás, os políticos bem-intencionados podem atee ser piores, pois seus ideais corroem o país estruturalmente, culturalmente, ao passo que os corruptos são pragmáticos e "materialistas". E olho para o outro lado e vejo cidadãos indignados, que se acham verdadeiros semi-deuses, exemplos de honestidade e pureza, críticos "imparciais" de tudo e de todos na esfera política. Na verdade, invejosos e mal-amados, que sublimam sua pobreza de espírito através de uma recusa da reflexão mais profunda, menos conjuntural.

Acontece que uma hora a gente se cansa de tudo isso. Pelo que tenho visto, normalmente as pessoas se cansam aos 70 anos. Eu me cansei cedo, então, 43 anos antes da hora. Estou agonizando mentalmente, como um doente de cama que olha à sua volta e vê todos os sãos vivendo suas vidas e se sente excluído daquilo. Só que minha agonía é inversa, como no alienista de Machado de Assis. Eu olho à minha volta e vejo as pessoas falando: "Você viu o fulano? Todo ano compra um carro novo!", ao que o outro prontamente responde: "Que absurdo! Tanta gente pobre nesse mundo".

Eu me irrito com isso. Não fico indignado. Fico irritado. Indignação implica um sentimento de superioridade e certeza que eu não tenho, embora possa parecer que eu tenha. Eu não tenho certeza de que os ricos não merecem suas fortunas, eu não tenho certeza de que os pobres são coitadinhos, eu não tenho certeza de que a pobreza existe porque existe a riqueza. Enfim, eu não me comporto como se estivesse em meu palanque de cidadão, cheio de direitos e exigências a priori, como um inocente absoluto cheio de constatações indiscutíveis.

Eu não tenho raiva do FHC porque ele conseguiu, no final de sua vida e depois de anos de luta, comprar um apartamento de 1 milhão. Eu não sou de esquerda, não simpatizo com a social-democracia, mas mesmo assim sou capaz de reconhecer que ele é trabalhador e esforçado.

Mas a mentalidade igualitarista distorce tudo. Transforma caridade em indignação. Se o sujeito doa quase todo o seu dinheiro aos pobres, não está fazendo mais que a obrigação. Se não doa, todos ficam indignados e ele se torna um crápula culpado pela pobreza no mundo. Caridade não é isso. Caridade é espontânea, pois é uma virtude do espírito, e não da Constituição ou do Código Civil.

E eu continuo agonizando. Recuso-me a ficar indignado! A caça às bruxas social nunca solucionou e nem vai solucionar nada, pelo simples fato de que não tem nada a ver com amor e boa-fé. E se explicações filosóficas não forem suficientes, basta que se afirme que TODO MUNDO, se tivesse a oportunidade, gostaria de viver em uma casa bonita e cara, o que não significa nada além de colher os frutos de seu trabalho. Só que, hoje, colher os frutos do seu trabalho é proibido. Você tem de trabalhar bastante e depois dar tudo para os outros, porque é assim que o mundo vai melhorar... Os frutos devem ir para os pobres, como manda o socialismo, pois os pobres são coitadinhos. E o bode-expiatório: se o sujeito trabalhou no setor privado e enriqueceu à custa de muito suor, ainda assim é um interesseiro capitalista. Se trabalhou feito um burro para o governo (sim, isso existe! Funcionário público não é "tudo vagabundo" não) e aposentou-se, está mamando nas tetas do Estado. A ética da indignação igualitarista midiático-cidadã - que ataca tanto a esquerda quanto a direita - tudo dilui numa sopa de julgamentos antecipados. Todos os ricos são bonachões exploradores e todos os pobres são esforçados oprimidos. E até os pobres que enriquecem só continuam inocentes se forem jogadores de futebol ou cantores de pagode. Se se tornam empresários, todos se esquecem do trabalho que tiveram para chegar onde chegaram.

A minha agonía se funda em várias sentenças breves, que eu guardo em minha "caixola" e mantenho válidas até prova em contrário. E provas de senso-comum não me bastam. Quero provas filosóficas e científicas. Duas delas:

- Não é errado algumas pessoas serem mais ricas que outras, ainda que sejam muito mais ricas;

- A causa da pobreza extrema de muitos seres humanos não é a riqueza de outros;

Posso estar errado, mas não acho sequer verossímil que o homem tenha gasto séculos de filosofia e reflexão, para que tudo se resuma a tirar dos ricos para dar aos pobres. A coisa é muitíssimo mais complicada que isso.
</Evandro> <!--3:40 PM-->

Sexta-feira, Novembro 01, 2002

<Evandro> 

Achei num sebo o livro "A pobreza das teorias desenvolvimentistas", de Deepak Lal. A orelha é uma sugestiva enumeração de esclarecimentos acerca do assunto. O tom é de uma sobriedade cruel, que me deixou com aquela impressão de que vamos ver uma nova era Sarney em breve. Aliás, hilária a observação - que saiu nos jornais de hoje - de que não vamos ter problemas de especulação com os vales do Projeto Fome Zero, já que eles só têm um mês de validade. Ufa! Agora estou bem mais tranquilo!

Trechos da orelha do livro (negritos meus):

"Teorias desenvolvimentistas é como se denomina a série de teorias "heterodoxas" que, ao que se alega, são especialmente aplicáveis aos países em desenvolvimento. Nasceu de uma crença de que a teoria econômica neo-clássica tradicional tinha pouca validade no Terceiro Mundo"(...)

"Os argumentos em defesa da industrialização forçada, substituidora de importacões e que se escuda atrás de altos muros protetores, têm sido convincentemente refutados, tanto pela experiência como pela teoria; a industrialização forçada levou a uma utilização ineficiente dos recursos disponíveis e a mudanças arbitrárias e injustas na distribuição das rendas".


Ao que parece, seria um serviço de utilidade pública se eu enviasse uma cópia do livro de presente ao Serra, outra ao Lula e outra ao jurássico Paul Singer.
</Evandro> <!--6:24 PM-->

/archives

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