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Agonizando
"O que, antigamente, foi fonte de júbilo e de lamento deve agora tornar-se fonte de reconhecimento".

[Jacob Burckhardt]

Agonías sofre em Brasília-DF
agonias_feitosa@hehe.com

Evandro sofre em São Paulo-SP
vates@uol.com.br






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Segunda-feira, Novembro 20, 2006

<Evandro> 

Pronto. Mudei de casa. Esta aqui vai deixar saudades, como toda casa. Dá um aperto no coração na hora de mudar...

Mas a outra, apesar de ainda não estar totalmente arrumada, já está de portas abertas. Agonizarei com mais conforto agora!

Senão, vejamos: www.agonizando.wordpress.com
</Evandro> <!--10:01 PM-->

Sábado, Novembro 18, 2006

<Evandro> 

Ah... "Create new post"!

Ou: As coisas estão "meias" paradas por aqui ultimamente. Concordo. Não queria prometer nada, mas vou. Quero reavivar este blog, juntamente com o meu outro, que até devo mudar de lugar. O fato é que tentei dar uma de webdesigner, mas o tempo me traiu. O mal dos blogs é o bendito database! E os spams nos comentários. E os CSSs. E os divs sobrepostos. E os.

Então, este blog aqui, eu devo dar uma limpada nele, atualizar os links, tirar os banners velhos etc etc. Talvez até mude o template, mas não sei se isso ia dar certo, porque eu dei uma "mechida" nele. De qualquer modo, devo voltar a postar. Talvez não (só) sobre política, porque ando FARTO de política. Enquanto as pessoas continuarem dando tanta importância à política, o mundo não vai melhorar, e muito menos o Brasil. Cada um tem de cuidar de sua vida, ser ético com quem está do lado, em vez de ficar cobrando ética de políticos e "dos outros". Todo brasileiro tira vantagem quando pode e depois faz pose de indignado.

Ah, queria também pedir um favor. Se alguém ainda vem aqui, por favor dê um "oi" aí nos comentários.

Voltando ao assunto... Indignação não é a minha praia. Como vocês podem ver aí embaixo, o estado mais próximo da indignação a que consigo chegar é o de "putz".


</Evandro> <!--5:21 PM-->

Sábado, Maio 20, 2006

<Evandro> 

Mais um exemplo de desinformação. A Folha de S. Paulo publicou, no dia 1o de maio, uma micro-nota sobre a morte de Jean-François Revel na véspera. Na nota, inversamente proporcional à importância do intelectual francês, diz-se que uma de suas obras mais célebres é "O monge e o filósofo". Isso mesmo: "O monge e o filósofo"! Claro que não é. E sabe por que a Folha quer que as pessoas achem que é? Porque no livro defende-se o ateísmo. Só por isso. Pelo amor de Deus! Que golpe baixo! Podiam ter citado pelo menos "Nem Marx nem Jesus" (essa sim uma obra celebérrima), que, se defende o ateísmo, pelo menos põe tudo em seu devido lugar, deixando bem claro que, mesmo para um ateu, Marx é lixo.

Mas ainda tem mais. A desinformação não é da Folha. No site do Estadão, a notícia é praticamente igual e o livro citado é o mesmo. A explicação é que a nota não passa de uma notícia repassada de uma agência internacional, como sempre.

Para tentar fazer jus ao dito autor, então, deixo aqui um link:

http://www.libertad.org.ar:2100/clasicos/homenajerevel5.htm
</Evandro> <!--1:25 PM-->

Sexta-feira, Maio 19, 2006

<Evandro> 

O governador Cláudio Lembo disse que está ficando velho e não quer mais saber de política. Disse, resumidamente, que está mais para ir para a cova do que para combater o crime organizado. Agora me digam se um país que tem pessoas assim tão inconscientes de seu dever, e mesmo das aparências deste, pode ser levado a sério? Pelo amor de Deus! Como pode um político, no meio de uma crise de violência e do próprio Estado de Direito (Rule of Law), dizer algo que deixe tão explícita a sua total falta de compromisso para com as suas responsabilidades morais? Humor negro em frente às câmeras no horário nobre? A que ponto chegamos!

Se, conforme ele mesmo disse, já está chegando a hora de ir para a sepultura, creio que agora ele carimbou seu passaporte, se não para o inferno, ao menos para o purgatório, com tamanha falta de ética.
</Evandro> <!--10:15 AM-->

Quinta-feira, Maio 18, 2006

<Evandro> 

É mais fácil um brasileiro achar que o problema do crime organizado é os celulares do que enxergar o estado a que chegou a América Latina.
</Evandro> <!--12:01 PM-->

Quinta-feira, Março 10, 2005

<Evandro> 

A única coisa pior do que um esquerdista incoerente é um esquerdista coerente.
</Evandro> <!--8:20 PM-->

Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005

<Evandro> 

Os EUA e o falatório ambientalista


"Apesar da oposição do governo Bush ao Protocolo de Kyoto, 28 dos 50 Estados americanos e dezenas de empresas multinacionais sediadas nos Estados Unidos já estão adotando voluntariamente medidas de redução de gases poluentes com o objetivo de combater o aquecimento global."

Isso saiu no UOL hoje e veio da BBC de Londres. É um caso típico de manipulação de informação, de distorção dos fatos. Mais precisamente, é o estabelecimento de uma relação - entre dois fatos - inversa à que ocorre na realidade.

A realidade, que ficou mais do que provada durante a Rio +10 - em Johannesburgo, em 2002 - é que o governo americano se posiciona da seguinte maneira, nessa questão da redução da emissão de gases poluentes: prefere fazer do que falar, e prefere deixar que a iniciativa privada o faça, por não ser esse o papel de um Estado minimamente liberal. Durante aquele encontro, em 2002, Colin Powell cumpriu uma agenda paralela às discussões intermináveis entre os representantes dos vários países presentes. Esta agenda, que foi divulgada até pela mídia brasileira (mais precisamente, o Estadão), consistiu em reuniões com representantes da iniciativa privada, onde foram estabelecidos diversos pactos de cooperação mútua, totalizando um montante de dólares bastantes significativo, mas que agora me foge à memória. Além disso, não obstante a clara preferência por iniciativas que desonerem o Estado de mais essa função, o próprio Colin Powell declarou, ao ser vaiado por ambientalistas durante seu discurso na Rio +10, que o próprio governo americano está tomando providências efetivas quanto ao problema do meio-ambiente: "Estamos comprometidos não somente com a retórica ou com objetivos abstratos, mas com um programa de US$ 1 bilhão para desenvolver tecnologias avançadas destinadas a mitigar as emissões de gases de efeito estufa". Esta declaração saiu na Folha de S. Paulo, à época, e pode ser encontrada mediante uma simples pesquisa no Google, usando as palavras-chave: "Colin Powell" "Protocolo de Kyoto".

O que a reportagem da BBC faz, então? Diz que as empresas, na prática, aderiram ao protocolo de Kyoto, a despeito de o governo americano não ter aderido. Mas, a relação é justamente a inversa: o governo não aderiu ao protocolo, justamente porque, na prática, as empresas - e o próprio governo - já estão trabalhando há tempos em prol da redução de poluentes. Além disso, as leis anti-poluição nos EUA são muito mais rigorosas que em qualquer outro país do mundo. O governo americano não vê por que entrar no blá-blá-blá das reuniões de cúpula, na produção infinita de regulamentações que prejudicam a economia (vide o dinossauro que é a União Européia), nos gastos públicos que deveriam ser privados etc etc etc. A ONU está aí para provar que cúpulas não resolvem nada, pois representam apenas mais um cenário para o eterno falatório inútil que tem sido a política internacional, desde o advento dos órgãos internacionais, filhos dessa coisa disforme que é o direito internacional hoje em dia. A África também está aí para provar que bilhões e bilhões de dólares não vencem a estupidez humana, pois esta tem de ser vencida pela inteligência e não pelo dinheiro.

Essas reportagens são tão absurdamente simplistas, que chego a pensar se o jornalista é um ser pensante ou se é uma espécie de Windows XP bípede, que inverte relações lógicas óbvias e dá pane a cada duas semanas. O pressuposto de uma matéria dessas é algo como "o tal do Bush quer continuar poluindo o mundo, por isso não assina protocolos; mas todos estão contra ele". Nada de explicar políticas externas, nada de falar de ciência política e economia, nada de falar de intervencionismo estatal e da inferioridade do blá-blá-blá ambientalista abstrato diante das ações concretas que precisam ser tomadas para preservar a natureza. Nada disso, apenas um pressuposto imbecil e uma conclusão inversa. Às vezes acho que, para dar um jeito no jornalismo, só com um Control+Alt+Del.
</Evandro> <!--4:47 PM-->

Sábado, Dezembro 18, 2004

<Evandro> 

No artigo de hoje no Globo, o professor Olavo de Carvalho parece querer fechar um círculo argumentativo. Agora é inegável. O comunismo já chegou ao Brasil e não vai embora tão cedo.

Diante dos argumentos dele, uma pessoa como eu realmente não tem saída. Racionalmente, eu sou obrigado a concordar. Está provado e pronto.

Não obstante, eu - e sei que muitos outros de seus alunos e admiradores - não consigo visualizar, apreender a coisa integralmente. Eu consigo enxergar um processo de perda dos direitos de liberdade de expressão, e este processo está bem adiantado; e consigo perceber isso em minha vida, pois não há como encontrar, na rua (sem ter de recorrer à Internet para "refinar a busca"), ninguém que tenha as mesmas posições políticas que eu, por exemplo.

Eu sei que seus argumentos são fortíssimos, rigorosamente fundamentados. Mas, ao mesmo tempo, sinto que há um leve deslocamento nessa fundamentação. Não sei que deslocamento é esse (também posso estar enganado), mas sou capaz de perceber que as coisas não estão tão ruins quanto seus artigos pintam. Se vão ficar, é outra coisa. Se isso é uma estratégia para que as pessoas tomem iniciativas, é outra coisa. Mas, se for esse o caso, então fica provado que os fins justificam os meios?

Além disso, não consigo ver nos esquerdistas toda essa plena consciência acerca de seus próprios objetivos (embora eu saiba que eles têm bem mais do que pensam as pessoas em geral).

Enfim, só queria deixar isso registrado aqui, para compartlhar com outras pessoas que porventura concordem comigo. Mesmo sendo um grande admirador do Olavo, ainda acho que há algo errado em algum lugar de sua teoria sobre o neocomunismo.

Resolvi chamar isto aqui de "registro", pois não tenho cacife para "refutar" ninguém do nível do Olavo. Mas também sei que não sou nenhum bobinho, pois já leio seus escritos há quase 10 anos e não guardo absolutamente nenhuma simpatia por qualquer idéia de esquerda.
</Evandro> <!--11:53 AM-->

Domingo, Dezembro 12, 2004

<Evandro> 

"It is desirable (...) that people should be eccentric" (John Stuart Mill)
</Evandro> <!--1:04 PM-->

Terça-feira, Outubro 26, 2004

<Evandro> 

Maior que as nuvens que saíram de trás daquele prédio no dia em que não deveriam ter saído porque você não estava usando guarda-chuva. Esse é o tamanho da lição de vida que é escutar "Glenn Gould tocar Bach no piano.

Se você não consegue escutar, se acha que é chato, pense na felicidade que você teria sentido se tivesse descoberto que aquela nuvem que saiu de trás do prédio e molhou você todo foi, na verdade, enviada por Deus para limpar tudo de ruim que existia dentro de você.

Ficou meio brega...

Deixe-me reformular então...

Anastásio estava andando louco e perdido pela vida, os pés pelas mãos, o rabo entre as pernas, a pulga atrás da orelha. Do fundo de um corredor escuro em que entrou certa vez, vinha uma música indescritível. As notas burrifavam-se contra seu corpo todo, penetravam pelos poros exigindo atenção absoluta. Por 34 dias Anastásio ficou ali, parado, imóvel, no início do corredor, sem coragem de prosseguir. Prosseguir era uma ofensa. Prestar atenção aos pés! Não. Atenção absolutamente dedicada aquele fluxo inefável que vinha do nada.

Então a música parou.

Imediatamente ele pensou: "BWV0000. Acabou."

Anastásio então saiu do túnel. Não quis saber o que havia lá no final. Tudo o que ele queria saber não significava nada diante do que tinha ouvido naqueles 34 dias. Curiosidade era palavra estúpida. Lágrimas saíam de seus olhos como caldo verde jorrando da panela da vovó Jasminda. Suas pernas estavam bambas como vara verde e seus olhos, arregalados fitando o nada, eram os olhos de quem estava pensando em tudo o que não sabia e nunca iria saber.

A música que nos faz pensar em tudo o que não sabemos e nunca vamos saber.

Ou:

Se você não consegue escutar Glenn Gould tocar piano, se acha que é chato, pense na felicidade que você teria sentido se tivesse nascido um pouquinho mais inteligente.
</Evandro> <!--9:26 PM-->

Quinta-feira, Setembro 09, 2004

<Evandro> 

A ausência total de manifestação por parte do Agonías aqui neste sítio me deixou em uma situação delicada. Agora tenho de me rebaixar ao ponto de insistir em que ele existe. Eu juro que ele existe! Recentemente, o mesmo me disse estar contente com sua situação. Disse-me que se transformou em uma figura "que paira" sobre o blog, uma espécie de "presença ausente" (como adorariam dizer os semióticos, algozes também a muito ausentes deste local - que Deus os tenha).

Enfim, espero que os leitores apreciem esta onipresença manifesta pela ausência (ui ui!). Conheço quem diria que isso é Deus. Não chego a tanto, embora não deixe de enxergar um certo caráter metafísico nessa história toda.

Acrescento ainda mais uma observação. O Agonías faz muito mais jus ao nome deste blog do que eu. Durante todo este tempo em que estivemos no ar, ele não deixou de agonizar lá em Brasília (aquela terra de ninguém, ou de todos, bichos coletivos, filhos do Deus-Estado, habitantes replicantes da macaca-seca-do-centro-oeste) por um só minuto. Deus o abençoe por seu sofrimento, que um dia o salvará. Ou não.

- Agonias seja louvado!

- Ele está no meio de nós.
</Evandro> <!--6:33 PM-->

Terça-feira, Agosto 31, 2004

<Evandro> 

Olavo de Carvalho continua derramando verdades e, como sempre, ninguém escuta, nem mesmo uma boa parte dos meus amigos que o conhecem e que não acham que ele não passa de uma figura folclórica. Os últimos três artigos estão caprichadinhos. Enquanto isso, eu me isolo do mundo e pratico uma dose ínfima de crítica-cultural-conservadora-liberal-para-além-dos-comentários-econômicos. Só me resta mesmo isso... Faço aulas de tênis, não assisto aos filmes esquerdistas chiques do momento, não leio jornais, quase não leio os artigos da meia-dúzia de anti-esquerdistas na Internet, passeio em praias e shopping centers, adulo cãezinhos fofos, e mesmo assim ainda estou mais por dentro do comunismo iminente que 99,99% das pessoas que conheço, as quais ainda são muito menos esquerdistas que a média da população.

Os links:

http://www.olavodecarvalho.org/semana/040828globo.htm

http://www.olavodecarvalho.org/semana/040831fsp.htm

http://www.olavodecarvalho.org/textos/1a_leitura_2004_set.htm


Agora deixem-me continuar com meus exercícios de alheamento da realidade.
</Evandro> <!--11:30 PM-->

Sexta-feira, Agosto 13, 2004

<Evandro> 

A vida deveria ser simples como um funcionário público (doravante, FP). Sempre soube lidar bem com FPs. Macete: você finge compartilhar de alguma coisa com eles (até hoje não sei bem que coisa é essa) e eles lhe dão o que você quer. Mas tenho uma teoria sobre essa "coisa". Acho que é um sentimento de atribuição de importância a procedimentos, ao regulamento. Um dia fui fazer inscrição para residência em um hospital (para um amigo meu). Cheguei na sala e a mulher me disse que estava faltando sei lá o quê (sempe está), que tinha que prencher sei lá o quê, num tom de "você está por fora". Imaginei um amigo impaciente começando a reclamar, mas logo vesti um vestido inefável de subordinação. Os FPs adoram subordinação da parte dos "desentendidos". Não ser um FP é ser um desentendido em assuntos sem importância alguma, como a maneira correta de preencher um formulário (com letra de fôrma, com caixa-alta apenas no início das frases e em nomes próprios, o CPF sem hífens ou barras, o órgão expedidor separado da unidade federativa).

Ser um FP é como fazer parte de uma seita para iniciados em pipoca, ou cotonetes.

Mas, como eu ia dizendo, adotei uma postura de bom menino e disse "ai, ai, não entendo nada disso". Ela então soltou um risinho (eles sempre soltaou um risinho de superioridade materna, ou paterna) e me ensinou. Eu lhe disse que era de Belo Horizonte (ser de um lugar bobinho também ajuda) e perguntei "como eu faço agora? Não vai dar? por causa de estar faltando o...?" Aí ela respirou, pensou nas amenidades gentis sobre as quais havíamos conversado nos minutos anteriores, e "abriu uma exceção"!

Estou me sentindo cruel após este relato. É sério... Não fiz por mal. Foi só por educação. Se você for educado com as pessoas, elas quase sempre são educadas com você. Até os FPs!
</Evandro> <!--12:20 PM-->

Quinta-feira, Agosto 12, 2004

<Evandro> 

Aqui eu tenho mais experiência do que . Aqui eu sou veterano. Agonizando: since 2002. A falsa modéstia vai embora e eu me orgulho de ter sido um dos primeiros (logo após a Inês, a Miss Veen e mais uma meia dúzia). Toda modéstia é falsa. Se quiser provar que alguém é modesto por falsidade, bote ele nos jornais e vai ver o ego inflando como um abacate em crescimento.

Perdi minha virgindade com o jornalismo há uns bons tempos. Outro dia saiu uma reportagem sobre a síndica aqui do prédio. Lá dizia que ela optou pela terceirização dos serviços, e que, como se diz por aí, "deu super certo". Só um detalhezinho: não foi ela que terceirizou. O prédio é novo e já foi entregue com os serviços terceirizados. Assim é o jornalismo.

Mas, voltando ao abacate, espero um dia ver uma matéria no jornal sobre este blog aqui. A manchete: "Brasileiro mantém blog verde, na contra-mão do mundo". Sim! Aqui estou eu, dizendo besteiras desde 2002, na contra-mão do mundo (o mundo só diz coisas relevantes).

Rá.
</Evandro> <!--11:33 AM-->

Quinta-feira, Julho 29, 2004

<Evandro> 

Na rua, paro no sinal, uma duas três vezes e vejo aquele peixe estilizado na traseira dos carros.

Nova era de aquário.

Se eu fosse Tomas Pynchon, veria uma conspiração. Mas, nova era da pizza combina mais com o BRzão.

Estou sem TV a cabo aqui em BH. Eu e minha mulher assistindo "Rosalinda" no SBT (estrelando Thalia!): as cenas têm mais zoom que cinema da década de 70, os atores vibram as sobrancelhas e fazem biquinho. Eu e minha mulher assistindo "TV Fama" na Rede TV: reportagens sobre fofocas de famosos; cada matéria tem três ou quatro minutos de duração, embora as imagens disponíveis para a edição não somem mais que uns 30 segundos; o resultado é uma espécie de transe hipnótico causado pela repetição exaustiva de imagens, um dejà vu de pobre. E por fim, horário "nobre": uma enxurrada de jornais em todos os canais; ouço a palavra "social" a cada dois minutos; uma mulher fala de "ação social de inclusão digital", com cara de poucos amigos (um deles deve ser o Lula, que há poucos dias arengou pela dita inclusão digital, sem se lembrar de que é contra a ALCA, a qual reduziria à metade os preços de computadores; mas, como sempre, inclusão só se for ação do governo; ninguém mais pode incluir ninguém em nada, a não ser o Estado); que mais? Ah, não me lembro. Só me lembro de que uma série de matérias me fizeram pensar que só mesmo aqui em Pindorama é que se fala mal de impostos sem questionar o poder do Estado.

Enquanto isso, famílias vendem coleções de armas ao governo, que as compra com o dinheiro do contribuinte, tudo "para acabar com a cultura da violência". Também tenho um revólver em casa. Foi do meu avô. Não dispara um tiro há mais de 40 anos. Acho que vou vender e "apurar um dinheirinho", como se diz por aí. Malandro é o brasileiro, digo, o gato, que já nasceu espertinho, digo, de bigode.
</Evandro> <!--7:24 PM-->

Quarta-feira, Junho 30, 2004

<Evandro> 

Frase imbecil da semana: "Não faço ilustrações de livros; sou contra a interpretação" (Frank Stella, artista plástico).

E as origens de tal sentimento (em trecho de matéria no Estadão, sobre a correspondência entre Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro): "Da amizade entre Pessoa e Sá-Carneiro surgiu, provavelmente em 1916, o sensacionismo, movimento que pregava que as sensações devem ser expressas de tal modo que criem um objeto que seja sensação para os outros. E dessas sentenças surgia um caminho que se revelaria decisivo para a poesia moderna: 'A única verdade em arte é a consciência da sensação'".

Pra começar, deveria ser proibido escrever qualquer frase com "movimento que pregava"... Mas o pior é que era mesmo um movimento... e realmente pregava! E pregava que a dimensão mais baixa do ser humano era a única existente na arte. Não consigo deixar de rir-me disso - "rir-se disso? Que falta de seriedade e respeito", diriam os professores de letras. "Falta de seriedade e respeito tinham esses sujeitos... pela arte!", diria eu.
</Evandro> <!--6:42 AM-->

Quinta-feira, Junho 24, 2004

<Evandro> 

Não sei se todo mundo aí já está sabendo que tenho outro blog. Já faz um tempinho. Mas, de qualquer modo...



</Evandro> <!--1:11 AM-->

Sexta-feira, Junho 18, 2004

<Evandro> 

Um abismo separa Olavo de Carvalho e todos os outros autores que eu costumo ler. Seu artigo no JT é uma análise tão precisa do que ocorre no mundo, que não se pode negar uma linha. Tudo em um texto minúsculo de jornal, um tema que daria um livro de duas mil páginas. Para processar as coisas que ele fala, são necessários vários dias de reflexão. E, para entendê-las totalmente, precisar-se-ia de toda uma bibliografia em língua estrangeira. É uma pena que ele esteja voltando seus esforços para tentar criar um movimento de reação intelectual no Brasil, ou algo assim, escrevendo sempre sobre o mesmo tema: as Farcs, Lula e o Foro de São Paulo. Se ele se dedicasse a escrever livros que analisassem filosófica e historicamente a situação mundial, com certeza seus escritos ficariam para a posteridade e seriam lidos por pessoas de diversos países. Mas posso estar enganado. Pode ser que ele consiga um resultado prático. Na verdade, ele já conseguiu um resultado prático. Se não fosse o sacrifício que ele fez, dando aulas e escrevendo artigos em jornais e participando de polêmicas com ignorantes, em vez de se dedicar integralmente à pura filosofia, hoje não haveria tanta gente na Internet, escrevendo em blogs e compartilhando idéias em comum. Embora eu ainda não tenha visto, além de mim mesmo, ninguém admitir isso, o Olavo de Carvalho influenciou direta e indiretamente o surgimento de uma "intelectualidade" - as aspas são porque essa intelectualidade não passa de um embrião, uma promessa. Algumas pessoas já produzem um pouco, outras nem tanto, outras ainda nada. E algumas outras estão desnecessariamente preocupadas em negar que foram influenciadas por ele, ou que devem a ele muito do que aprenderam.

Pronto! Escrevi mais um texto que vai entrar para a lista das provas que me enquadram no mais famoso crime do momento: ser um fã de Olavo de Carvalho.
</Evandro> <!--11:24 AM-->

Quinta-feira, Junho 17, 2004

<Evandro> 

Sei que o que vou dizer é bem bombástico. Mas, como sei que tem mais gente por aí pensando assim, mas sem coragem de se manifestar, digo eu então, e que eu seja o saco de pancadas, ou não, sei lá. De resto, se o pessoal da "Internet liberal" for mesmo tolerante e defensor da liberdade de expressão como costuma se afirmar, não vai se importar de eu dizer umas verdades sobre eles e, ainda assim, continuar lendo-os de bom grado e aprendendo com eles sobre uma série de assuntos em que estou mergulhado em uma ignorância substancial!

Reaganomics é o tema. De um lado vejo um fulaninho bem inteligente sentando o pau em Reagan:

http://www.mises.org/fullstory.asp?control=1544

Do outro lado, os fulaninhos bem-intencionados-mas-não-raro-equivocados do Mídia sem Máscara endeusando o mesmo presidente.

Não sei, mas tenho a impressão de que a verdade está em algum lugar no meio das duas posições. Não vou com a cara nem da babação de ovo do MSM para com tudo que Bush e os republicanos fazem (embora eu a prefira, de longe, à babação dos esquerdistas com o Clinton); e nem vou com a cara tampouco da posição da galera do Lew Rockwell e do Mises.org, que gosta de dizer aos 4 ventos que a política externa dos EUA gera déficits e representa o crescimento do Leviatã, e que isso é o que importa acima de tudo. Tudo bem, Leviatã cresce. Mas não me parece que os comunistas e os radicais islâmicos estejam se lixando para o livre-mercado. Na verdade, parece que foi justamente a entrada do livre-mercado em "terras sagradas", aliado a uma espécie de revolução intelectual no islã, que provocou o fenômeno do fundamentalismo e do terrorismo. Parece que os misesianos acham que o free-market resolve tudo no final, mesmo diferenças profundas - e, segundo muitos, até essenciais - entre religiões gigantescas e milenares. Resumindo: o certo é aliar o livre mercado ao fim do terrorismo. Leviatã não cresce, logo o terrorismo e o mal no mundo acabam. Simples, né? É isso que os misesianos defendem. E o pessoal do MSM? Bem, eles são meio contraditórios. Eles defendem o livre-mercado, mas também defendem o militarismo de Bush, que gera gastos do Estado e o transforma em um gigante onipotente. Os misesianos são coerentes e o pessoal do MSM, incoerente? Talvez. Mas, para além das coerências e incoerências, estão as impossibilidades. Não me parece que o livre-mercado vai gerar a paz espontaneamente, nem me parece que a política externa dos EUA vai conseguir resolver todos os problemas do mundo, ainda mais porque o mundo não quer ver que está em apuros. Os EUA, ao que me parece, fazem o que podem, desesperadamente, para salvar 6 bilhões de cegos. E isso pode ser visto como uma beleza, uma maravilha sem ressalvas (é a visão do MSM) ou como o oposto, ou seja, a desgraça suprema, o império do Leviatã (misesianos). E eu fico aqui, mergulhado em minha ignorânciazinha, com a impressão de que a coisa toda é bem mais complexa, como sempre. E que nenhum dos dois lados tem a razão total, como sempre.

É claro que tudo que eu disse aqui sobre livre-mercado aplica-se apenas um panorama externo ao Brasil, já que, por aqui, nem se sabe o que é isso. Defender o livre-mercado aqui no Brasil é começar quase do zero. O mercado que os misesianos falam que não é livre, ou seja, o norte-americano, é um paraíso de liberdade se comparado ao Brasil. Os EUA, mesmo gastando milhões e milhões de dólares com segurança e militarismo, cobram muito menos impostos que o Brasil. Isso é só para complicar um pouco mais as coisas. E olha que eu nem falei das esquerdas! que são o problema principal, contra o qual o MSM, os misesianos e etc se unem, aos trancos e barrancos, na medida do possível.

Em que podemos ter esperanças, quando o assunto é o poder? Em nada. Apenas escolha o lado mais fraco e lute por ele. E, na hora de escolher, você ainda corre o risco de achar que o lado mais forte é que é o mais fraco, como acontece hoje no mundo. Continuo do lado mais fraco, que é justamente aquele que estou criticando neste momento. Mas isso não me impede de desabafar. Afinal, ninguém é de ferro.

Esquerdas, Islã, Leviatã. Bem-vindo ao mundo! E a solução? Bem, acho que quem estava certo era mesmo o Voegelin e o Platão: está todo mundo no metaxo (estarei eu também?), e que Deus nos proteja!
</Evandro> <!--12:01 AM-->

Sábado, Junho 12, 2004

<Evandro> 

Cada estilo de época literário inscreve sua contribuição em uma trama maior que ele: o legado cultural da humanidade, esta coisa abstrata e perene, cuja existência mesma virou moda negar. Nunca vi nenhum professor de literatura dizer isso. De minhas aulas de literatura na escola trago uma lembrança estranha, a de que, mais ou menos de século em século, os homens resolviam mudar de mania de escrever. Tinham a mania de escrever rebuscado, depois tiveram a mania de escrever coisas melosas, depois a mania de buscar romper com o passado em seus escritos etc etc. E o mais estranho: lutavam incansavelmente por essa mania, como se tivessem um estímulo mais forte que os tolos motivos que a mente moderna e esclarecida do professor demolia facilmente em poucos segundos.

Em outras palavras, eu nunca consegui entender o que realmente dava tanto estímulo aos artistas de cada época, que faziam até manifestos escritos para defender seus pontos de vista. Hoje vejo que talvez seja uma mistura de ideologia e humanitarismo. Por vezes os escritores tinham motivações mais universais, por vezes menos. Não sei. Mas, seja como for, os professores nunca sequer entraram no assunto. Preferiam empurrar aos alunos, como suposto conhecimento, a famosa ostentação moderna de esclarecimento e superioridade em relação às demais épocas, cujas mentalidades são sempre estudadas como curiosidades exóticas, tolices cronocêntricas ? típico do cronocentrismo dos nossos tempos.
</Evandro> <!--1:45 PM-->

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